Projeto Tamar em Fernando de Noronha: as tartarugas e a ilha que as protege
Por Danilo Dirê · Atualizado em 2026 · Leitura de 6 minutos

Se você está planejando sua viagem para Fernando de Noronha, conhecer o Projeto Tamar e a história das tartarugas marinhas é um capítulo à parte — e ajuda a entender por que a ilha é tão preservada. Aqui, quem vive Noronha te conta onde é comum ver tartarugas, quando é a época de desova, o que é o Centro de Visitantes e por que o arquipélago é peça-chave na conservação dessas espécies no Brasil.
Onde ver
Onde é mais comum ver tartarugas em Noronha
Em Noronha, as tartarugas aparecem com mais frequência — e são vistas de perto — na região portuária (Porto de Santo Antônio). A Baía do Sueste, por sua vez, é uma área de alimentação essencial: suas águas calmas funcionam como um berçário natural, onde os juvenis da tartaruga-verde e da tartaruga-de-pente se alimentam, crescem e descansam — abrigando também o único manguezal em ilha oceânica do Atlântico Sul. A visita ao Sueste é de contemplação, feita a partir da praia: não se entra na água (nem snorkel, nem mergulho), por segurança. A Baía do Sueste é também uma das praias mais bonitas de Noronha.
Desova
A Praia do Leão e o nascimento do Parque
Se o Sueste é onde as tartarugas crescem, a Praia do Leão é onde a vida começa: é a principal área de desova da ilha. Sua importância foi tão reconhecida que esse trecho acabou se tornando o embrião do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, criado por decreto federal em 1988. Por isso, as praias de desova são acompanhadas de perto, com monitoramento diário — e noturno nas áreas mais sensíveis — para proteger fêmeas e ninhos.
Ciclo de vida
O ciclo de vida das tartarugas marinhas
As tartarugas marinhas têm uma vida longa e cheia de viagens. Apesar de passarem quase toda a existência no mar, dependem da terra em um momento decisivo: a desova. É na areia que os ovos são incubados e os filhotes nascem — e, assim que saem do ninho, as tartaruguinhas correm direto para o mar aberto. Os primeiros anos são quase um mistério, sobretudo no Atlântico Sul: acredita-se que os filhotes se deixem levar pelas correntes, encontrando abrigo e comida entre as algas que flutuam no oceano. Algumas espécies, como a tartaruga-de-couro, passam a vida inteira em mar aberto; outras, ainda jovens, se aproximam de ilhas e regiões costeiras — é o caso das que fazem de Noronha sua área de alimentação. O amadurecimento é lento: a tartaruga-oliva e a tartaruga-de-pente levam cerca de 15 anos para chegar à fase adulta, enquanto as demais só se tornam adultas entre 20 e 30 anos — e, a partir daí, só deixam suas áreas de alimentação para se reproduzir, numa longa migração de volta à praia onde nasceram.
Época de desova
Quando é a época de desova em Noronha
A desova é comandada pela temperatura e acontece nos meses mais quentes. No litoral do Brasil, vai de setembro a março; já nas ilhas oceânicas, como Fernando de Noronha, ocorre entre dezembro e junho — e, por aqui, registra-se apenas a desova da tartaruga-verde (Chelonia mydas). Se você ainda está definindo quando viajar, vale conferir nosso guia da melhor época para ir a Fernando de Noronha.
História
De "bandos de tartarugas" a uma população que precisou ser resgatada
Fernando de Noronha entrou nos mapas em 1503 e, ao longo dos séculos, passou pelas mãos de portugueses, ingleses, franceses e holandeses — foi colônia correcional, presídio político e até base militar norte-americana durante as Guerras Mundiais e a Guerra Fria. Os relatos antigos descreviam "bandos de tartarugas" na ilha e no mar, uma abundância que hoje soa distante. Durante boa parte dessa história, comer ovos e carne de tartaruga era comum — e o impacto foi profundo: atualmente, Noronha tem a menor população de tartarugas-verdes entre todas as ilhas oceânicas do Brasil. É esse passado que dá sentido a todo o esforço de conservação de hoje.
Conservação
O Projeto Tamar na ilha
O trabalho de pesquisa e proteção do Projeto Tamar em Noronha começou em 1984. Quando o turismo deslanchou, no início dos anos 90, e a ilha virou um dos grandes destinos de ecoturismo do país, a Fundação Projeto Tamar viu ali a chance de aproximar os visitantes da causa das tartarugas. Foi assim que nasceu o Centro de Visitantes, inaugurado em 1996 — hoje um dos pontos mais visitados da ilha, com cerca de 40 mil pessoas por ano.
Centro de Visitantes
O que você encontra no Centro de Visitantes
O próprio prédio já conta uma história de responsabilidade ambiental: foi erguido com madeira certificada de reflorestamento, containers marítimos reaproveitados e apoiado sobre pilotis removíveis, para não selar o solo — nada de areia ou pedra retiradas da ilha, cuidado essencial onde o terreno se desgasta com facilidade. Na visita, você percorre painéis sobre a biologia, as ameaças e o ciclo de vida das tartarugas, vê réplicas das cinco espécies que ocorrem no Brasil, além de esqueletos, maquetes e vídeos. Há ainda espaço infantil, área cultural, visitas orientadas e a loja da Fundação.
Como chegar
Como chegar ao Centro de Visitantes
Chegar a Noronha é simples: há voos diários saindo de Recife e de Natal, com cerca de uma hora de voo. Já na ilha, o Centro de Visitantes do Projeto Tamar fica perto da BR-363 — a única estrada da ilha —, no acesso à Praia do Boldró, com placas indicando o caminho. Ficou com dúvida sobre voos e localização? Veja onde fica Fernando de Noronha e como chegar.
Por que importa
Por que proteger as tartarugas importa
Há mais de 100 milhões de anos no planeta, as tartarugas marinhas são muito mais do que um encontro bonito para o visitante: são peça central da saúde do oceano. Consideradas verdadeiras "engenheiras do ecossistema", ajudam a manter recifes de coral e bancos de grama marinha saudáveis — o que sustenta uma cadeia inteira de espécies, de camarões e lagostas a atuns. Ao se alimentar, controlam populações de águas-vivas e pequenos invertebrados, devolvem nutrientes ao mar e, como grandes migratórias, transportam energia entre os ambientes por onde passam. Proteger as tartarugas é, no fim das contas, proteger o próprio equilíbrio que faz de Noronha esse paraíso — e a natureza que sustenta o turismo e a economia da ilha.
Perguntas frequentes
O que você precisa saber
Dá para mergulhar no Sueste para ver tartarugas?
Não. Na Baía do Sueste não se entra na água — nem snorkel, nem mergulho. A visita é de contemplação, feita a partir da praia. Para ver tartarugas de perto com mais frequência, a região portuária (Porto de Santo Antônio) é o melhor lugar.
Onde é mais fácil ver tartarugas em Noronha?
Na região portuária (Porto de Santo Antônio), onde elas aparecem com mais frequência. A Baía do Sueste também é área de alimentação e permite avistá-las da beira (contemplação apenas, sem entrar na água).
Quando é a época de desova em Noronha?
Entre dezembro e junho, com registro apenas da tartaruga-verde.
Onde fica o Centro de Visitantes do Projeto Tamar?
Perto da BR-363, no acesso à Praia do Boldró, com sinalização na estrada.
Vale a pena visitar o Projeto Tamar em Noronha?
Sim — é um dos pontos mais visitados da ilha e ajuda a entender a natureza que você vai encontrar por aqui.
Quer se aprofundar? O trabalho de conservação está detalhado no site oficial da Fundação Projeto Tamar.
